História

Em 1986 Dona Ana Bernardina trabalhava como voluntária no Centro Maria Nunes, que realizava um trabalho de assistência às pessoas carentes, com distribuição de sopa e sacolas de legumes. Dona Ana, que também era assistida, ajudava como voluntária na cozinha do Centro, preparando a sopa e ajudando na distribuição. Sempre que sobravam alimentos, Dona Ana pedia o restante e levava para distribuir com suas vizinhas, no Bairro 1º de Maio, que era próximo ao Centro Maria Nunes, no Bairro Aarão Reis.

Dona Ana
Comemoração dos 81 anos de Dona Ana

Um dia, o Conselho do Centro decidiu acabar com a distribuição da sopa. Continuariam somente com os outras atividades. Dona Ana ficou muito sentida ao saber da notícia e resolveu, então, ir até o dirigente da Casa, o Sr. João Nunes Maia, e pediu a ele que não parasse com distribuição da sopa. Ele disse que se tratava de uma decisão do Conselho, que não cabia a ele interferir, mas se ela quisesse, poderia transferir o trabalho da sopa para a casa dela, que de alguma forma ele a ajudaria.

Assim foi feito: Dona Ana aceitou e João Nunes lhe deu uma panela, um saco de fubá e um saco de macarrão. Ela não tinha um fogão apropriado como o do Centro, mas tinha muita força de vontade e começou a fazer a sopa no fogão a lenha. O Centro Maria Nunes também contribuia e continua contribuindo semanalmente, fornecendo um pouco de carne e legumes.

Dona Ana sempre gostou de usar uma frase, "Santo que tem o olho fundo chora é cedo" e assim ela pedia nos sacolões, perto da sua casa e no Abrigo São Paulo, que também ajuda pessoas carentes. Os legumes eram suficientes para a sopa e ainda sobrava um pouco para fazer uma sacolinha simples, para cada uma das assistidas. A notícia se espalhou pelo bairro e a fila crescia cada vez mais. Nessa época, Dona Ana ganhava meio salário mínimo de pensão e resolveu comprar mais uma panela, chegando a distribuir sopa para 172 famílias.

Casa
No início, o improviso....

O tempo passou e vários voluntários apareceram, auxiliando no trabalho. Com muito trabalho e alguns eventos - como jantares e almoços beneficentes - o grupo conseguiu recursos para iniciar a construção da Casa da Sopa.

Casa
Obra de construção da Casa da Sopa

Com esses recursos os voluntários compraram meio lote no bairro Novo Aarão Reis. Lá, com a ajuda de novos voluntários que aderiram ao trabalho, as obras de ampliação da casa continua, onde já se distribui sopa para 150 crianças e 60 mães. As crianças tomam a sopa no local e as mães levam a sopa para casa. Algumas até desdobram essa sopa para render mais. Esse grupo de voluntários que ajudam na Casa da Sopa não visam nenhum tipo de remuneração. Trata-se de uma instituição sem fins lucrativos, que não conta com nenhuma ajuda do governo e de nenhuma instituição pública.

Dona Ana Bernardina filha de Bernanrdino Ferreirra e de Isabel Rodrigues do Nascimento, nasceu na cidade de Jequitibá de Guanhães Minas Gerais no dia 04 de junho de 1921 e morreu no dia 05 de novembro de 2003 nesta capital, após dedicar mais de 50 anos de sua vida para os trabalhos da caridade.

Casa